Relações Políticas

A seguir à Segunda Guerra Mundial as relações diplomáticas entre os nossos países foram rompidas e não voltaram a ser restabelecidas até ao dia 1 de Julho de 1974. A partir desta data foram estabelecidos numerosos convénios entre os dois estados e verificaram-se igualmente bastantes visitas ao nível de Chefes de Estado, ministeriais e parlamentares. O diálogo já era regular antes de a Hungria ser membro da União Europeia, mas os contactos políticos ganharam a sua verdadeira intensidade depois da adesão húngara à UE e à NATO.

As relações bilaterais são reforçadas por vários acordos que cobrem um amplo espectro desde a Cooperação nas Áreas da Educação, Ciência, Ensino Superior, Cultura, Juventude e Comunicação Social (2005) até à Protecção Mútua de Investimentos (1992) ou à Abolição Mútua da Obrigação de Vistos (1991).

Visitas de alto nível

Chefes de Estado

1989: Mário Soares, Presidente da República Portuguesa, visita a República da Hungria;

1993: Árpád Göncz, Presidente da República da Hungria, visitou Portugal;

1998: Visita de Árpád Göncz à EXPO 98;

1999: O Presidente Jorge Sampaio dirigiu conversações oficiais na Hungria;

2002: O Presidente Húngaro, Mádl Ferenc, visita Portugal;

2006: László Sólyom, da República da Hungria, participa na cerimónia de tomada de posse de Cavaco Silva;

2006: Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, participa nas comemorações do 50º aniversário de Revolução Húngara de 1956.

Chefes de Governo:

1992: Cavaco Silva, PM português, em Budapeste;

1996: Visita oficial a Portugal do Primeiro Ministro húngaro, Gyula Horn;

1998: António Guterres, Primeiro-ministro Português visita a Hungria;

2000: Viktor Orbán, Primeiro-ministro húngaro, visita Lisboa;

2003: Visita de trabalho a Hungria de Durão Barroso, Primeiro-ministro da República Portuguesa;

2007: Ferenc Gyurcsány, PM húngaro visita Portugal.

Ministros Estrangeiros:

2002: Martins da Cruz, MNE português, em Budapeste;

2005: Ferenc Somogyi, MNE da Repúlica da Hungria, visita Portugal;

2008: Luís Amado, MNE português, em Budapeste.

Líderes parlamentares:

1997: Zoltán Gál, Presidente da Assembleia Nacional da Hungria, visita Portugal

2002: Mota Amaral, Presidente de Assembleia da República, em Budapeste

2003: Visita Oficial de Katalin Szili, Presidente da Assembleia Nacional da Hungria, a Portugal

2008: Katalin Szili, Presidente da Assembleia Nacional da Hungria, participa no Encontro dos Presidentes Parlamentares Europeus em Lisboa

Relações económicas bilaterais

Em 2009 o valor das exportações da Hungria para Portugal (com base nos princípios do país de origem e destino final) diminuiu em 20,8% relativamente ao ano anterior e aproximou-se dos 307 milhões de Euros. Do total das exportações, maquinaria e equipamentos representam cerca de 85 %, outros produtos industriais acabados aproximadamente 12 % e alimentos à roda de 3%. Os artigos mais importantes incluem produtos de alta tecnologia da indústria electrónica e automóvel, entre outros gravadores, videogravadores e câmaras, telefones, aparelhos de rádio, radares, mercadorias de metal, produtos de plástico e borracha, químicos, produtos farmacêuticos, bens de couro, têxteis e vestuário, brinquedos, madeiras em bruto e processadas, cereais e vários outros alimentos.

Em 2009 o valor das importações húngaras de Portugal diminuiu em 19,6 % em comparação com o ano anterior e atingiu os 101,9 milhões de Euros. Do total das importações, maquinaria e equipamentos representaram cerca de 54 %, outros artigos industriais acabados aproximadamente 35% e alimentos cerca de 10 %. Os artigos mais importantes incluíram máquinas e equipamentos, veículos e peças, produtos de plástico e borracha, têxteis e vestuário, sapatos e bens de couro, instrumentos e mercadorias de metal, químicos, cortiça, alimentos e vinho.

O total do investimento estrangeiro directo (IED) de Portugal ao longo dos últimos 20 anos chegou aos 200-300 milhões de Euros. Actualmente, há várias empresas mistas luso-húngaras que operam na Hungria no campo da construção, telecomunicações, obras públicas e imobiliário, cortiças e vinhos, alimentos e confeitaria, produtos farmacêuticos, têxteis, impressão e gravura, automóveis, vendas e leasing, etc.

Desde 2006 que a TAP opera seis voos directos por semana para Budapeste. O número total de turistas portugueses que se deslocam para a Hungria atingiu em 2009 aproximadamente as 20-25.000 pessoas. Pelo seu lado, os turistas húngaros em Portugal terão ultrapassado este ano os 35.000.

Uma breve panorâmica sobre a presença da cultura húngara em Portugal:

Não é nada surpreendente que em Portugal o ramo mais conhecido da cultura húngara seja a música, que não conhece nem barreiras linguísticas, nem distâncias geográficas insuperáveis. Liszt, Bartók e Kodály são nomes familiares aos melómanos portugueses, que conhecem também o nome de Ligeti e de Kurtág.

Menos pessoas sabem, contudo, que, entre 2001 e 2005, o Maestro Titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa do Teatro Nacional São Carlos, Zoltán Peskó, também era oriundo da Hungria, ou de que na Madeira, no Porto e em Lisboa há muitos músicos húngaros que tocam nas mais importantes orquestras portuguesas.

A literatura húngara, que tinha mais dificuldades em penetrar no “mercado cultural” de Portugal, recebeu um impulso considerável em Outubro 2002 com a atribuição do prémio Nobel ao notável escritor húngaro, Imre Kertész. As suas obras que apresentam e analisam os impactos trágicos do holocausto e das ditaduras totalitárias são cada vez mais acessíveis em português, e suscitam um interesse geral pela riqueza da literatura húngara, nomeadamente pelos clássicos: poetas (Sándor Petőfi e Attila József), novelistas (Géza Csáth) e romancistas (Sándor Márai).

No que toca aos representantes das artes plásticas é sempre um verdadeiro desafio apresentar-se tão longe dos seus países de origem, mas graças ao famoso casal Árpád Szenes - Vieira da Silva – e desde 1994 à fundação que promove as suas heranças – a pintura húngara também não é totalmente desconhecida em Portugal.

Além dos festivais internacionais de filmes – como o de Tróia e o IndieLisboa - onde em cada ano há pelo menos um filme húngaro, os produtos húngaros da sétima arte são regularmente apresentados pela Cinemateca que organiza de vez em quando semanas de filme húngaro. Também nos canais televisivos se podem ver filmes húngaros.

Não há qualquer dúvida de que – por um lado, reduzindo e em parte apagando os obstáculos administrativos que até agora cada projecto de intercâmbio cultural devia ultrapassar, e por outro, promovendo o estabelecimento dos contactos pessoais entre os actores da cultura e suscitando um interesse mútuo crescente pela cultura dos parceiros europeus – a adesão da Hungria à União Europeia facilitará ainda mais, no futuro, os intercâmbios culturais entre Portugal e a Hungria, que ficará assim - psicologicamente - cada vez menos afastada do Atlântico.