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Pécs, capital cultural da Europa em 2010
Em 2010, a Europa, pela primeira vez, terá três capitais culturais: Essen, na Alemanha, Istambul, na Turquia, e Pécs, na Hungria, que fica mais ou menos no meio do caminho entre as duas primeiras. A cerca de 200 quilômetros ao sul de Budapeste, Pécs fica a apenas 30 quilômetros da fronteira com a Croácia. Fundada pelos romanos há mais de dois mil anos, quando tinha o nome de Sopianae, a cidade tem uma história de conquistas e banimentos de povos; um dos cemitérios mais antigos da Europa, do século IV a.C., com um mausoléu que faz parte da lista de patrimônios culturais da Unesco, e foi palco central das batalhas com os turcos, que a ocuparam em 1543 e ficaram durante 150 anos, até o século XVII.
Hoje, há uma maioria húngara, que vive em paz com as minorias alemã, búlgara, grega, armênia, eslovena, ucraniana, eslovaca, sérvia e croata. Pécs, a cidade de cerca de 150 mil habitantes onde quase tudo mudou nos últimos 20 anos, na fase de transição do regime estatal do comunismo para a economia de mercado, veste roupa nova para o ano de festas. As fachadas dos prédios antigos no Centro foram restauradas. Até a tão esperada autopista ligando a cidade, no Sul do país, à capital húngara, que vinha sendo pedida pelas empresas há anos, está quase pronta. A partir de abril, a viagem de carro para Budapeste deve ficar muito mais fácil.
No século IX, Pécs era chamada de Quinque Basilicae, o que mostrava a importância que os romanos davam ao lugar, que tinha cinco igrejas, mais do que outras cidades localizadas na mesma região. Os romanos não trouxeram apenas as igrejas. A região ensolarada do Rio Danúbio é também um centro da produção de vinho, e hoje tem o principal instituto de enologia da Hungria.
As igrejas, mesquitas e sinagogas foram uma prioridade de todos os povos que viveram em Pécs ao longo de dois mil anos. Os turcos também cuidaram do desenvolvimento e construíram mesquitas. Muitas foram preservadas. A principal delas é hoje a Catedral. No alto do prédio foi instalada uma cruz, mas a lua crescente muçulmana ainda pode ser vista. Também a sinagoga, um testemunho da época áurea dos judeus, foi preservada. A casa de Vilmos Zsolnay, que revolucionou a produção de porcelana no século XIX, com cores novas, esverdeadas, que podem ser vistas também na fonte Zsolnay, na praça principal, é um dos prédios mais interessantes do século XIX. O centro de Pécs, assim como parte de Budapeste, ainda tem uma atmosfera do Império Austro-Húngaro, com uma suntuosa arquitetura.
Como Pécs é a primeira capital cultural européia na Hungria, o prefeito Zsolt Páva determinou que o acesso a 80% dos eventos programados será gratuito. Mais um motivo para visitar a cidade. A programação começa dia 10 de janeiro, e vai do pop ao clássico, que será tocado por uma orquestra batizada com o nome do compositor húngaro mais famoso, a Orquestra de Câmera Franz Liszt. Parte obrigatória do programa são obras também de Béla Bartók e Zoltán Kodály, outros grandes compositores húngaros. O artista plástico László Moholy-Nagy vai inspirar uma exposição sobre o seu papel na Bauhaus, a famosa escola de arte, design e arquitetura da Alemanha. Outra exposição lembrará a op art criada por Victor Vasarely, que nasceu em Pécs, em 1908 (e morreu em Paris, em 1997).
http://en.pecs2010.hu/
http://www.youtube.com/watch?v=GZKzRTUESOU
22-02-2010 14:34:26
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