Trecho da obra de Manuel Mendes: O Cerrado de Casaca(Editora: Thesauros - 1995)
Em meados de fevereiro de 1965, o Primeiro Secretário do Legado da Hungria, Miklós Vass, veio a Brasília para acertar com as autoridades da Novacap, a concessão do lote destinado à futura sede de sua Embaixada (até 1974 no nivel de Legação). Na redistribuição dos terrenos do Setor de Embaixadas, em função das alterações na lista dos países representados no Brasil, a Hungria ficou com o lote 19 até então atribuído à Letônia, em ótima localização. Cerca de quatro meses depois, em solenidade realizada no Gabinete do Prefeito Plínio Cantanhede, o Legado Gusztáv Droppa assinou a escritura, formalizando o recebimento, em doação, daquela área.
No dia 25 de março de 1970, o Legado János Beck, veio a Brasília para audiência com o chanceler Mário Gibson Barboza. Em contato com a imprensa, o Chefe da Missão húngara revelou que "um arquiteto do nosso Ministério do Exterior está concluindo o projeto da sede da Embaixada para entregá-lo a uma firma de São Paulo, nas próximas semanas, para desenvolvimento e detalhes, ficando ainda com a responsabilidade da construção do conjunto".
No dia 13 de janeiro de 1971, a Hungria instalou, num apartamento da SQS 109, Escritório de Representação da Embaixada que ainda permanecia no Rio. A chefia desse Escritório foi entregue ao Primeiro Secretário László Hofmann, o primeiro diplomata húngaro a ter residência na nova capital.
Em abril de 1971, sem solenidade, iniciava-se a construção da sede da Embaixada, projetada pelo arquiteto Eugênio Szilágyi, de origem húngara e residente no Brasil, escolhido pela firma Lakóterv" chefiada pelo engenheiro Karl Kögl. Dezesseis meses depois, no dia 21 de agosto de 1972, o novo prédio era festivamente inaugurado com duas solenidades:uma às 11 horas e outra às 19.
Às 11, ao som do Hino Nacional da Hungria, ouvido através de alto- falantes, o Vice-Ministro das Relações Exteriores daquele país, Imre Hollai, hasteou a Bandeira húngara no mastro metálico, no pátio fronteiro ao novo edifício. Os convidados reuniram-se em volta para ouvir o Vice-Ministro dizer que aquele era "um momento de grande importância para a vida da República Popular da Hungria". Olhando o amplo panorama que se descortinava à sua frente, com o Lago rodeado de grandes áreas ainda vazias, o Vice-Chanceler Hollai declarou que aquela vista simbolizava "o muito que ainda temos - Brasil e Hungria - para fazer crescer". Com o Brasil celebrando, então, o Sesquicentenário da Independência, lembrou ele a juventude do nosso país em comparação ao seu, com mil anos de história.
A festa de inauguração continuou à noite, na nova embaixada. A recepção foi aberta com um brinde oferecido pelo Vice-Ministro, ao lado do Governador Hélio Prates da Silveira, pela saúde do Presidente Emílio Médici. Presente cerca de 200 convidados, em sua maioria membros do Corpo Diplomático estrangeiro, recém-instalado em Brasília.
A sede da Embaixada é formada por um edifício único, com 1.845 metros quadrados, dos quais 981 metros abrigam as residências do Embaixador e dos demais diplomatas (sete apartamentos) e os restantes destinam-se aos escritórios e salas de representação.
A decoração do conjunto foi feita pelo Gabinete de Manutenção do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Hungria e a maior parte do material veio daquele país. Entre as obras de arte, destaca-se a escultura "Composição em Metal" do escultor húngaro György Segesdi, instalada no jardim da Embaixada. O monumento, com 4,5 metros de altura, é de aço cromado. Foi instalado em 1977 e inaugurado em 1980. Outra obra que deve ser mencionada é a Árvore da Vida (mitologia estilizada), uma composição de cobre revestido de esmalte quente, da artista plástica Kornélia Bokor. A obra fica no salão de recepção.